quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Mudámos de Casa!

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Our Choice for New Year's Eve!

Mundus medium-dry 

With a vibrant citrus colour, Mundus medium-dry reflects its birthland, the region of Lisbon, on the North Atlantic Coast.
Mineral, strongly aromatic, this sparkling carries all the ocean freshness, as well as acid fruit notes, like lemon, lime and tangerine, along with floral fragrances recalling linden, orange flower and verbena.
Due to the short two-month stage in french oak, Mundus Sparkling leaves a spicy touch of vanilla on the finish.


13,5% Vol.
Vinified with the portuguese grapes Vital and Fernão Pires
Adega Cooperativa da Vermelha, Cadaval


Have a prosperous New Year!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Alentejo, a «Toscana Portuguesa»

Nossa Senhora de Aracelis, Castro Verde, por Sara Matos.

Solos: Maioritariamente ácidos, com excepção dos depósitos de barros da região de Beja (vertissolos e planossolos). Comportam rochas sedimentares detríticas e metassedimentares, vulcânicas eruptivas, vulcânicas plutónicas e algumas rochas carbonatadas. A nível pedológico, o Alentejo é maioritariamente formado por cambissolos, litossolos, luvissolos e pelos podzóis do litoral (Costa Vicentina). Os lençóis freáticos apresentam um moderado teor de sulfatos, com excepção na zona central perto da fronteira com o Algarve.
Clima: No Alentejo encontramos um ombrotipo maioritariamente seco superior/inferior, com alguns locais áridos superiores e outros sub-húmidos inferiores .Precipitação media anual na ordem dos 500 mm no interior, podendo alcançar o dobro na Costa Vicentina. A temperatura média anual ronda os 16ºC.
Relevo: Suave e pouco elevado, com excepção de escarpas graníticas que podem ultrapassar os 400 metros, normalmente encimadas por castelos medievais. As principais elevações correspondem à Serra d’Ossa (649 m), à Serra de São Mamede (1025 m) e à Serra de Portel (421 m).
Castas tintas: Trincadeira Preta, Periquita, Tinta Roriz e Grand Noir. Para além destas são ainda cultivadas a Carignan, a Alicante Bouschet, a Castelão, a Cinsault, a Cabernet Sauvignon, a Bastardo, a Corropio, a Pinot, a Syrah, a Tinta Carvalha, as Tourigas, a Tinta Grossa e a Abundante.
Castas brancas: Principalmente Rabo-de-Ovelha, Tamarez, Roupeiro e Antão Vaz. Surgem ainda a Malvasia, a Moscatel, a Semillon, a Trincadeira-das-Pratas, a Verdelho, a Diagalves, a Fernão Pires, a Alicante Branco, a Alva e a Formosa.

Anta-capela de Pavia, Mora, por Nanda Costa.
As semelhanças paisagísticas e a riqueza gastronómica juntam-se ao historicismo para unir no pensamento duas das mais exuberantes regiões vinícolas do mundo, a Toscana e o Alentejo.
Porta do castelo de Beja,
por Sara Matos.
A Toscana portuguesa, assim apelidado o Alentejo pelo escritor Adrian Mourby na edição de 10 de Maio de 2014 do The Guardian, infunde liberdade e paixão a quem a visita. Entre megálitos, castelos mouros e cristãos, antas-capelas, igrejas, morábitos que abarcam o tempo e vilas que branqueiam a suavidade dos montes, estendem-se prados e colinas, ora escarpadas, ora brandas e ternas, cheias de um lirismo poético que a todos toca com o solarengo colorido de uma flora que marca o compasso do ano num eterno ciclo de vida.
Os vinhos encorpados, envolventes e macios, transportam ao nosso palato toda a exuberância estival desta terra de poetas, desenhada a traços impressionistas em co-autoria entre o Homem e Deus.

Mértola, por Nanda Costa.

Detenhamos-nos por instantes na região de Borba, mais propriamente em Vila Viçosa, no ducado dos Bragança, pilar geodésico da Restauração que levou D. João IV ao trono português, pondo fim à governação dos Habsburgo, decorria o ano de 1640. E também terra de Florbela Espanca. Aqui nasceu a mais romântica poetisa portuguesa, e aqui se acha sepultada. 

Paço do Duques de Bragança, por Ana Isabel Pavão.

Vista a partir do castelo
 de Vila Viçosa,
por Marina Amaral
O paço dos duques fala-nos de uma época conturbada da nossa História e ergue-se na zona norte da vila como arauto da independência que une em D. João IV, oitavo duque de Bragança, as messiânicas figuras de D. Sebastião e de Alexandre o Grande, como o sugere a epígrafe datada de 1654, presente na «porta dos laços» que outrora se achava à entrada da vila. Nela é estabelecido um paralelismo entre o nó górdio, desfeito pela espada de Alexandre, e o «nó» que prendia Portugal a Espanha, desfeito por D. João.

Castelo de Beja, por Sara Matos.

Mais enigmático é o cruzeiro da vila, localizado em frente à igreja de Nossa Senhora da Lapa, no qual se enrosca uma serpente esculpida da mesma pedra.
De acordo com a apreciação do investigador Paulo Pereira em Enciclopédia dos Lugares Mágicos de Portugal, vol. 5, tratar-se-á de uma alusão à serpente de bronze criada por Moisés, a pedido de Deus, para afastar a praga de ofídios enviada como castigo ao povo de Israel, que parecia estar a perder a fé. Segundo o mesmo autor, a serpente em torno da cruz, neste caso benigna e apotropaica, surge para estabelecer uma correspondência simbólica entre as provações do Povo Eleito à saída do Egipto e as dos portugueses sob o poder de Espanha, num gesto propagandístico quinto-imperial e messiânico, que aguardava o regresso de um D. Sebastião já lendário, o que veio a acontecer na pessoa de D. João IV.

Castelo de Monsaraz, por Nanda Costa.
Após a estrondosa vitória de Portugal nos EUA como Melhor País Europeu, foi agora a vez de o Alentejo ser eleito igualmente pela Ten Best Reader’s Choice da USA Today como a melhor região vitivinícola do mundo para visitar, demarcando-se uma vez mais pela sua singularidade que jamais desaponta os enófilos.
A enóloga Kerry Woolard referencia a gastronomia, a hotelaria, as adegas-boutiques e, claro, os vinhos alentejanos, sobretudo os robustos tintos que fazem do Alentejo uma experiência enoturística inesquecível.

Rio Guadiana, Mértola, por Sara Matos.
Bibliografia:
Loução, P. Alexandre; Viagens Inesquecíveis de Portugal – Viagens com Alma, 2011.
Pereira, Paulo; Lugares Mágicos de Portugal, vol. 5 e 12.
Woodlard, Kerry; 10 Best Reader’s Choice, USA Today.
Ribeiro, Susana; Portugal eleito melhor país europeu nos EUA, Fugas Notícias 14-05-2014.
Mourby, Adrian; A Foodie Tour of Portugal's Alentejo, The Guardian, 10-05-2014. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Karstvīns da Letónia

Esta receita de vinho quente chega-nos do frio Báltico, mais propriamente da cidade costeira de Liepāja, Letónia. Da capital, Riga, uma outra receita, muito semelhante à primeira, sugere-nos a adição de um pouco de Bálsamo Negro de Riga (Rīgas Melnais Balzams) que, caso não o tenhamos, poderemos substituir por um licor de frutos silvestres e uma pitada de gengibre em pó, ou até mesmo por Vinho do Porto, Madeira ou Moscatel, se bem que o original resulte sempre mais autêntico.
Para esta receita recomendamos um vinho de Lisboa ou Alentejo.


7,5 dl de vinho tinto doce
2 laranjas
1 casca de limão
4 colheres de sopa de mel 
1 pau de canela
5 cravinhos
5 pimentas pretas
Riga Black Balsam (opcional)

Numa panela, levamos ao lume o vinho com a canela, as pimentas, a casca de limão e as laranjas cortadas às rodelas, nas quais espetamos os cravinhos. Assim que o vinho estiver próximo do ponto de fervura, retiramo-lo e acrescentamos-lhe o mel e um pouco de Bálsamo Negro de Riga.
O nosso Karstvīns está pronto a ser servido, acompanhado de alegria e boa-disposição! 

Um feliz e quente Natal!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Porto Branco Quente

Tradição nas regiões vinhateiras do Douro, Dão e Trás-os-Montes, assim como em Inglaterra, porém invulgar quando se trata de um branco fortificado. Convidamo-los, por isso, a experimentar esta deliciosa tentação de Inverno, com mel de urze a condizer com as terras pedregozas durienses, habitadas por esta planta melífera com paladar a contos-de-fadas...


Numa chávena de chá:

1/2 chávena de Vinho do Porto branco (podem igualmente experimentar com um Porto Tawny);

1/4 chávena de água quente;

1 pau de canela;

2 ou 3 colheres de chá de mel de urze;

1 pitada de gengibre em pó.

Ideal para tomar à lareira, tranquilamente, depois do jantar, acompanhado de chocolate negro ou biscoitos de gengibre.


Feliz Natal!



domingo, 14 de dezembro de 2014

Aromas de Inverno: um vinho solsticial...

Vinho quente, vinho especiado, quentão, mulled wine, vin chauds, glintwein, glühwein, gløgg, tankard... São uma moda antiga na Europa e no Médio Oriente, difundida amplamente pelos quatro cantos do mundo nos séculos XVIII e XIX, e levada para o Rio Grande do Sul por portugueses e sobretudo por alemães, que nesses territórios mais frios e verdejantes há muito se instalaram.
Quase todos nós já estamos familiarizados com esta reconfortante e deliciosa bebida natalícia que traz calor ao gélido Inverno europeu e cuja doce fragrância faz hoje parte das essências mais usadas em velas e sprays perfumados, mas talvez poucos intuam as suas verdadeiras origens ou já tenham experimentado toda a sua paleta de aromas.
Muito apreciado na Roma Antiga, este cocktail invernoso, ao contrário do que à partida se possa pensar, terá tido como berço uma terra bem mais quente que a Península Itálica, o Egipto, onde já era usado como remédio na época de Narmer (séc. XXXII a.C.), o primeiro faraó, o unificador das Duas Terras. Sabe-se que os Egípcios lhe acrescentavam resinas, salva, menta, coentros e outras ervas medicinais e até frutos, como tâmaras e figos, e que a bebida assim obtida gozava de grande prestígio, sendo levada para os túmulos como elixir da vida eterna. Porém, acreditamos que o vinho quente aromatizado possa ter surgido ou evoluído de forma independente noutros locais e que um deles tenha sido a Ibéria. Assim como o gládio (espada curta romana) fora copiada dos Celtiberos, também o vinho quente poderá ter tido a assinatura deste povo da I Idade do Ferro.
Pouco apreciadores de bebidas demasiado alcoólicas, os Iberos tomavam vinho tinto diluído em água, misturando-lhe mel e ervas aromáticas, principalmente cominhos. Os Romanos terão sido certamente responsáveis pela difusão desta bebida ancestral, tornada tradição de Samhain (Halloween) e de Solstício de Inverno um pouco por todo o mundo europeu da Antiguidade.
Numa versão gelada, mais adequada ao Verão, o vinho aromatizado transformou-se na famosa sangria hispânica, já para não falarmos do ponche, e isto diz muito sobre os gostos ibéricos... No entanto, há que salvaguardar diferentes hipóteses a respeito da génese deste néctar perfumado, já que a miríade de tradições em torno do vinho quente é demasiado vasta para que este possa ter sido invenção de um único povo.


Os costumes evoluíram com as diferentes culturas e, ao contrário dos velhos Iberos, os europeus actuais parecem preferir o vinho quente fortificado e não diluído, pelo que em muitas receitas, algumas bastante antigas, surgem aditivos alcoólicos em vez de água: Vodka, Whisky, Gin, Brandy, cervejas, licores...
Quem hoje em dia visita os mercados de Natal pela Europa, rapidamente se deixa hipnotizar pelos adocicados e quentes aromas dos tintos - e também de alguns brancos! -  fumegantes em canecas de barro, que preenchem o ar destas feiras, outrora medievais, com poderosas notas a canela, laranja, anis, gengibre, menta, cravinho, hortelã...
Em Portugal, principalmente no Norte, o Vinho do Porto é aquecido com mel e canela, mas noutras regiões do país o vinho quente é também preparado com Moscatel ou Madeira. As especiarias e ervas aromáticas variam consoante os gostos, bem como as suas porções: casca de limão, uma rodela de laranja, cravinho, anis, funcho, erva-doce, cominhos, noz-moscada, pau de canela, hortelã e mel; bastante mel para adoçar o Inverno e aquecer a alma! 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Possíveis benefícios renais e cardiovasculares no consumo moderado de vinho!

Investigadores da Universidade de Denver, Colorado, coordenados pelo Dr. Tapon Mehta, chegaram à surpreendente conclusão de que o consumo moderado de vinho pode ter uma influência benéfica na prevenção de doenças cardiovasculares em pacientes com doença renal crónica, conforme é divulgado no Portal da Diálise e pela Revista de Vinhos.
O estudo teve por amostra 5852 participantes, dos quais 1031 sofriam de DRC, e veio revelar que os consumidores moderados (cerca de meio copo/dia), correm menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares em hemodiálise, comparativamente aos pacientes abstémios.

Embora este e outros estudos (hospitais universitários de Boston e de Roma) apontem no mesmo sentido, ainda é cedo para se recomendar o consumo moderado de vinho a doentes renais, quer em hemodiálise ou não, uma vez que o álcool por si só pode provocar um aumento da tensão arterial, o que apenas beneficia os pacientes que sofram de hipotensão, um dos principais factores que dificultam os tratamentos, visto que os pacientes hipotensos suportam mal a actividade da máquina que procede à filtragem do sangue. Em acréscimo, não há certeza quanto ao tipo de vinho consumido pelos participantes neste estudo, ainda que se saiba que a escolha da maioria recaiu quase sempre sobre os tintos. 

No corpo, os órgãos acham-se interligados e actuam de forma interdependente, pelo que um paciente não deve ser encarado pelo médico como uma doença ou os sintomas desta, mas, antes, como um todo em equilíbrio. Certos órgãos têm maiores afinidades entre si e por esta razão correm o risco de reagir em cadeia, comunicando ou partilhando muito rapidamente os sintomas de uma doença ou mal-estar, como o fazem as árvores numa floresta. É comum alguém que sofra de dores nos joelhos ter, na verdade, um problema dentário, da mesma forma que uma afta pode ter origem num problema estomacal, uma dor de cabeça estar relacionada com o fígado ou intestinos, ou um problema intestinal ter como causa um desvio da coluna vertebral ou um problema hepático. Dentro desta dinâmica, existe uma enorme afinidade entre o coração e os rins: estando um saudável, os outros também estarão. Numa situação de hemodiálise, em que o paciente por vezes já não apresenta função renal, o coração e as artérias tornam-se extremamente vulneráveis e exigem, por isso, a máxima atenção. Neste âmbito, o consumo moderado de vinho tinto é já um dado adquirido pela investigação cientifica como um factor de diminuição de problemas cardiovasculares, entre eles a arteriosclerose (Parkinson), mesmo em pacientes que não sofram de doença renal crónica. A juntar ao vinho nesta luta em prol do coração, somam-se o azeite, os peixes gordos, em particular a sardinha e o salmão, os frutos silvestres - que tal como o vinho tinto são ricos em resveratrol e flavonóides -, e as tisanas de videira-vermelha, ginkgo e espinheiro-alvar, plantas que não poderíamos deixar de referir quando o assunto é o coração.
Ainda sobre a sardinha, estudos levados a cabo em diversas universidades, entre elas a de Coimbra, demonstram que o seu consumo - sobretudo quando em conserva - melhoram bastante o função renal e, por arrasto, a cardíaca.

Seja qual for o alimento que actue como medicamento, é sempre na moderação que recai a tónica. Nunca é de mais relembrar que tudo quanto seja consumido em excesso traz consequências negativas, até o mais prosaico chá de tília quando excessivo pode provocar anemia. E não são raras as tisanas medicinais e os medicamentos que sem moderação acabam por desencadear os sintomas que é suposto prevenirem. É a velha questão dos venenos e da dose mínima, com que a medicina moderna se debate desde, pelo menos, do tempo de Samuel Hahnemann (1755-1843)...